Projeto desenvolvido na Graduação volta a Chapecó como tecnologia que beneficiará pacientes do HRO
Egresso da UFFS – Campus Chapecó traz, com orgulho, produto de estudos que iniciou no curso de Ciência da Computação

Publicado em: 18 de junho de 2018 14h06min / Atualizado em: 19 de junho de 2018 08h06min

Uma ideia desenvolvida em um Projeto de Inovação Tecnológica, que virou Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, por fim, abriu as portas para Mestrado, emprego e uma sequência de pesquisas. Para dar ainda mais orgulho à UFFS – Campus Chapecó, o egresso volta à cidade para implantar, no Hospital Regional do Oeste (HRO), não mais a ideia, mas o produto resultante de suas pesquisas e trabalhos.

José Eduardo Venson trabalha com o tema de visualização de imagens médicas desde 2013, quando foi bolsista de um projeto de inovação tecnológica financiado pelo CNPq e executado pela empresa Animati Computação Aplicada à Saúde. Atuando na mesma empresa e em uma parceira, a Medvia , morando em Porto Alegre e já mestre, ele esteve no início de junho no HRO para configurar os equipamentos diagnósticos, treinar os médicos radiologistas e acompanhar o trabalho com o novo sistema.

O sistema que Venson e a equipe da empresa instalaram reúne os exames e os laudos, disponibiliza a visualização dos resultados online – tanto a pacientes quanto aos médicos –, e uma série de ferramentas, como uma que possibilita o compartilhamento do exame de forma segura. Mas um dos principais benefícios é que os médicos podem ter acesso às imagens em dispositivos móveis, em qualquer local com acesso à internet. “O sistema que o hospital tinha acabava dificultando o processo. Os médicos só conseguiam visualizar as imagens e, portanto, dar um laudo, de dentro do hospital. Num caso urgente, não era possível um médico que estava em casa ou em viagem opinar sobre um exame; ele teria que ir até o hospital. E, nesses casos, o tempo é precioso. Com o sistema da Animati, com a tecnologia móvel que desenvolvi na UFFS, ele pode, de casa, ver o exame e encaminhar o paciente para o tratamento. Esse acesso externo é um ganho”, explica ele.

No HRO, conforme o médico radiologista Cristiano Diefenbach Da Silva, são realizados aproximadamente 10 mil exames como raio-x, ultrassonografias, mamografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e procedimentos guiados por imagem. “Uma vez que os médicos assistentes tenham acesso mais rápido aos exames dos seus pacientes, eles podem planejar, definir e instituir a terapêutica necessária com mais agilidade e o grande beneficiado é o paciente. A ferramenta possibilita ainda a troca de informações entre os médicos assistentes e os médicos radiologistas de forma segura, precisa e rápida, a fim de discutir possíveis dúvidas diagnósticas, além de viabilizar o envio de imagens para outros médicos em qualquer lugar que estejam com o intuito de discutir e planejar o melhor tratamento para o paciente”, opina o médico.

Com a utilização do novo sistema haverá também uma economia para o hospital, segundo Venson, já que não será mais necessária a impressão dos exames. Além disso, os pacientes não precisarão guardar uma cópia física dos exames que, muitas vezes, acabam perdidas.

O médico do HRO considera que a experiência foi muito agregadora e gratificante, “visto que o sistema Animati desenvolvido por José e sua equipe é muito intuitivo e resolutivo, o que nos trouxe grande satisfação e facilidade no aprendizado do uso da ferramenta. Um ponto positivo importante é a maior proximidade com a equipe técnica e de desenvolvimento que nos permitirá maior personalização do sistema para as necessidades do HRO, bem como agilidade na resolução de eventuais demandas que venham a surgir”, afirma.

Segundo Venson, o sistema já está em cerca de 120 clínicas e hospitais nas cinco regiões do país. “Essa solução de visualização que desenvolvi durante a Graduação na UFFS já está processando provavelmente milhões de imagens por mês, ajudando médicos a chegar a diagnósticos mais rápidos. Parece simples, mas, por exemplo, um software em que você consegue visualizar uma tomografia de abdômen, que tem mais de mil imagens, em um celular com 3G, é um problema bem complexo em termos de pesquisa e desenvolvimento”, explica.

Venson acredita que a pesquisa, iniciada no fim do segundo ano de Graduação, mudou sua vida. Conta que o professor Fernando Bevilacqua foi colega de Graduação do fundador da Animati. Quando iniciou o projeto na empresa, ele foi convidado a participar. “Nunca fui o melhor aluno, mas ia bem nas disciplinas do Fernando, ligadas à programação. O professor fez uma seleção para bolsa e eu fui selecionado. Na época fiquei muito feliz, era uma bolsa de R$ 800, valor que ninguém ganhava na época para fazer pesquisa”, revela Venson, que mal sabia que a importância do projeto iria muito além do valor da bolsa.

O jovem confessa que tinha “nada” de conhecimento de imagens na área médica na época e, mesmo para o orientador, professor Bevilacqua, era um tema novo. O projeto envolveu pessoas da Medicina, da PUC-RS e da empresa. Dessa forma, uniu quem queria usar o produto, quem sabia desenvolver e quem sabia vender.

“Depois, isso virou meu trabalho de TCC e foi a porta de entrada para meu Mestrado. A Animati tinha uma filial em Porto Alegre e fui trabalhar lá e em uma empresa parceira da Animati, com mais de cem médicos radiologistas (Medvia). Quando cheguei, peguei a parte técnica que já tinha e juntei com a experiência do usuário. Então isso me moldou muito profissionalmente para entender como as coisas funcionavam no meio de imagens médicas e radiologia. Assim consegui oportunidades na carreira muito rapidamente por já sair da faculdade conhecendo uma área. Geralmente, os estudantes saem da faculdade distantes do mercado de trabalho, tendo que buscar alguma coisa. Essa experiência que o projeto me proporcionou foi fundamental para dar sequência na vida profissional”, frisa.

Venson orgulha-se por ter realizado um trabalho que não ficou apenas na pesquisa: “conseguimos concretizar, virou um produto e já está em vários lugares e, inclusive, voltando a Chapecó”. Além do sistema, a pesquisa teve relevância no meio acadêmico, com publicações internacionais de alto impacto (incluindo a publicação em uma revista com classificação Qualis A1), as quais levaram o nome da UFFS.

E ele orgulha-se ainda mais por poder contribuir com a cidade na qual residiu e graduou-se: “vai ajudar a sociedade chapecoense e da região. Provavelmente alguém vai vir aqui, fazer seu exame e retirar o resultado pela internet e nem vai saber que foi fruto de um projeto que foi desenvolvido na Universidade Federal da Fronteira Sul”.

Embora esteja morando longe, Venson deseja incentivar os projetos de inovação tecnológica na UFFS. Ele conversou sobre o assunto com o vice-reitor da Instituição, Antônio Andrioli, e aguarda o retorno do professor Fernando (licenciado para o Doutorado) para iniciar um grupo de estudos em tecnologia em imagens médicas, envolvendo estudantes da Medicina e da Ciência da Computação, a fim de resolver problemas relevantes das instituições de saúde da região, gerar conhecimento e empreendedorismo.


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