Arquiteto Otávio Urquiza fala sobre sustentabilidade

Publicado em: 17 de outubro de 2011 13h10min / Atualizado em: 05 de janeiro de 2017 09h01min

Na última sexta-feira (14), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Erechim recebeu o arquiteto Otávio Urquiza para palestrar sobre o tema “Sustentabilidade: moda ou condição civilizatória”.

Considerado o pioneiro no termo “paisagismo produtivo”, Urquiza é um dos fundadores e responsável técnico da Cooperativa de Trabalho Transdisciplinar Arcoo Ltda responsável pela construção das Ecoovilas 1 e 2. Trata-se de condomínios localizados em Porto Alegre - RS, concebidos e executados segundo critérios ambientalmente sustentáveis. Em 2006, Urquiza recebeu o Prêmio Ecologista do Ano José Lutzenberger. Em sua passagem pela UFFS Urquiza concedeu uma entrevista onde falou sobre seu trabalho ligado a construções sustentáveis.

1. Com que objetivo foi criada a Cooperativa de Trabalho Transdisciplinar Arcoo?

Foi criada em 1992 como um instrumento de diversos profissionais das mais variadas formações - arquitetura, engenharia ambiental, biologia, psicologia, direito, administração e outras - para gerar trabalho através da produção de ecoovilas, ou condomínios autossustentados. Em 2000, foi criado o Setor de Habitação como um berçário para moradores. Em 2001, foi criado o segmento de Trabalho de Obra, a maior e mais motivadora experiência para a construção das casas, infraestrutura e jardins com tecnologias apropriadas.

 

2. O que são as Ecoovilas?

São conjuntos habitacionais inteligentes com casas autônomas, infraestrutura ecológica e paisagismo produtivo, todos projetados de forma interdependente, para um menor custo de produção e manutenção, resultando em um habitat rico em educação ambiental, fauna e flora.

 

3. Quais os principais benefícios de se morar em uma Ecoovila?

Motivação e aprendizado familiar, baixo custo de manutenção, conforto no inverno e no verão, contribuição com a melhoria de vida no planeta.

 

4. Quando o senhor passou a se interessar por práticas cooperativistas e ecológicas?

Comecei e me interessar durante a década de 70 quando percebi que o rumo de destruição do planeta, os paradigmas da indústria e das instituições eram de competição e sem visão de longo prazo.

 

5. O senhor acredita que as pessoas estão se conscientizando cada vez mais da necessidade de se ter um estilo de vida mais sustentável?

Sim, acredito. Líderes industriais, do comércio, do Estado, incorporam a cada dia a expressão “sustentabilidade”, alguns de forma equivocada, mas de modo geral refletindo a mudança necessária.

 

6. Quais são os fundamentos para a construção de uma vida mais sustentável?

Nos sentir na responsabilidade de melhorar a vida de todos e compreender a interdependência dos fatores – somos todos corresponsáveis; consumir de forma coerente eliminando o máximo os resíduos gerados; morar em habitats que sejam construídos com critérios de menor impacto e consumo; utilizar o sol, o vento, a água e a natureza como recursos solidários e interdependentes; diminuir o consumo de combustível fóssil de forma significativa; alimentar-se com produtos puros e sem embalagens; reciclar de forma simples nossos resíduos orgânicos dando destinos para a natureza agradecer; reproduzir animais importantes para os ciclos biológicos – ter menos cães e gatos; ouvir músicas com qualidade suficiente para que nos deixem perplexos e motivados; fazer algum tipo de arte.