Seminário Regional de Educação do Campo abre com palestra de João Pedro Stédile em Erechim

Publicado em: 03 de outubro de 2013 13h10min / Atualizado em: 06 de janeiro de 2017 11h01min

Apresentações culturais, considerações das entidades organizadoras e palestra com um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina, João Pedro Stédile, abriram, na noite de quarta-feira (2), o I Seminário Regional de Educação do Campo: projetos político-pedagógicos de escolas do campo do Rio Grande do Sul e o I Seminário de História Oral: a memória da luta pela Reforma Agrária na Fronteira Sul do Brasil.

Em sua participação, João Pedro Stédile, que é economista e tem livros publicados sobre a questão agrária e a luta de classes, tratou da conjuntura atual do campo brasileiro. Segundo ele, o objetivo da explanação foi trazer elementos para debates mais aprofundados que acontecerão durante os Seminários, que seguem com programação até sexta-feira (4).

Para isso, Stédile citou elementos da história brasileira que construíram as “características fundamentais do modo de organizar a produção no campo hoje no Brasil”. “Nesse cenário, não há mais espaço para a agricultura camponesa, porque ela não dá dinheiro, o que dá dinheiro é soja, etanol, gado. Então, as razões para esse despovoamento do campo não são porque as pessoas ficaram velhas, porque as pessoas não gostam mais da agricultura, ou porque a cidade é melhor. A razão fundamental da inviabilidade da agricultura camponesa é o modelo do agronegócio, que impôs um padrão de produção em que só interessa aquilo que está previsto na divisão internacional do trabalho, e na divisão internacional do trabalho, para nós, é soja, cana e pecuária”, destacou.

De acordo com o palestrante, a saída diante dessa conjuntura é “mudar o modelo de produção”. “Temos que derrotar o agronegócio, e para isso, só a força dos camponeses não adianta, porque hoje eles são minoria, a sociedade precisa dizer que assim não dá mais”, concluiu. Após a explanação, houve espaço para debate. A mediação da palestra ficou a cargo de Dirceu Benincá, que é doutor em Ciências Sociais e coordenador administrativo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim.

Articulação de forças

Conforme a coordenadora do I Seminário Regional de Educação do Campo e professora da UFFS – Campus Erechim, Naira Estela Roesler Mohr, é importante ressaltar que o evento não é uma ação isolada, mas sim integrada a outros projetos e organizações que têm como preocupação a Educação do Campo. Dessa forma, outras regiões do Rio Grande do Sul também promoverão seminários regionais, em continuidade aos debates do 1° Seminário Internacional de Educação do Campo, que ocorreu em novembro de 2012, em Pelotas.

Em Erechim, os Seminários (de Educação do Campo e de História Oral) estão acontecendo nas dependências da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). Além da URI e da UFFS, outras nove entidades da região integram a comissão organizadora.

Compuseram a mesa de abertura do evento o diretor da UFFS – Campus Erechim, Ilton Benoni da Silva; a diretora acadêmica da URI – Campus Erechim, Elisabete Zanin; o secretário de Educação de Erechim, Alderi Oldra; a coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Graciela Pauli; o diretor regional da Emater, Valmir Dartora; o representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Via Campesina, Rafael Junior Motter; e o diretor do Comitê de Bacias Hidrográficas Apuaé – Inhandava, Vanderlei Decian.

Para Benoni, o envolvimento da UFFS na articulação dos Seminários está entrelaçada com os compromissos da instituição. “Nós estamos aqui por algumas razões: porque o movimento popular se organizou, os trabalhadores do campo e da cidade se impuseram na luta em definir que essa região deveria ter a presença do estado ofertando educação superior pública. Temos uma série de compromissos, com a educação básica, por exemplo, com as questões ambientais, com as energias renováveis, com o planejamento urbano, com os direitos humanos, com as questões do campo; compromissos declarados e, muitos deles, já transformados em ação por meio de programas de formação, de pesquisa, de extensão, como é o caso da educação do campo. Este evento é um passo a mais para propormos e executarmos programas nessa área”, argumentou.