Campus Laranjeiras do Sul relembra os 50 anos da Ditadura Militar no Brasil

Publicado em: 14 de abril de 2014 08h04min / Atualizado em: 19 de janeiro de 2017 10h01min

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul promoveu uma semana de atividades para rememorar o golpe militar de 1964. Realizado de 07 a 11 de abril, o evento "50 Anos de Golpe Militar no Brasil: Reflexos na Sociedade Brasileira" trouxe ao público palestras, ciclos de cinema, debates, exposição fotográfica e de antiguidades.

"Este evento resgata um pouco da história do país, do golpe militar de 1964 e como os militares tomaram o poder de forma armada, e do período de chumbo da história brasileira, durante o qual tinha-se pouquíssima liberdade política e muita perseguição. As gerações mais novas não conhecem bem essa história, mas as pessoas que conviveram com a ditadura sabem o quanto a repressão política foi nefasta e quanto subordinou o país aos interesses internacionais", aponta o professor Paulo Henrique Mayer, diretor do Campus Laranjeiras do Sul.

A abertura do evento aconteceu no Cine Teatro Iguassú com a palestra "O imperialismo e o golpe civil-militar de 1694", ministrada pelo advogado Aton Fon Filho, da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap). Fon Filho é especialista em direitos humanos e dedica-se a temas como conflitos sociais, criminalização dos movimentos sociais, reforma agrária, política e direitos econômicos e sociais.

Fon Filho trouxe à palestra sua opinião sobre o que aconteceu, as causas do golpe militar de 1964 e quais interesses estavam em jogo. "Em uma conversa de cerca de uma hora não vai se formar um conhecimento acabado a respeito do que foram 21 anos da história brasileira e das repercussões que nós temos até hoje, mas se hoje nós conseguirmos motivar pessoas a pesquisarem mais, a se interessarem mais pelo tema, eu me dou por realizado", diz o advogado.

Durante a semana do evento houve uma exposição fotográfica sobre o Golpe Militar no Brasil e a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) no saguão do Bloco A da UFFS – Campus Laranjeiras do Sul. Também foram realizados lançamento e exposição de livros.A abertura do evento contou ainda com uma apresentação de dança do grupo cultural do Colégio Estadual do Campo Iraci Salete Strozak, que dramatizou cenas de repressão. O grupo também se apresentou no debate de encerramento.

Para o vice-reitor da UFFS Antônio Inácio Andrioli, relembrar o passado serve para que os erros cometidos não se repitam. "Este evento traz para a comunidade acadêmica e a comunidade regional o que foi o golpe militar de 1964, para que nunca mais voltemos a ter ditaduras políticas, para que nunca mais tenhamos violação de direitos humanos da forma como esses 21 anos de ditadura registraram, e para que a gente não possa ser tolerante com nenhum tipo de violência, opressão ou preconceito", afirma o vice-reitor.

O evento foi uma iniciativa do curso Interdisciplinar em Educação do Campo: Ciências Sociais e Humanas. A coordenadora do curso, professora Andrea Francine Batista, resume o papel das mesas de debate durante a semana de atividades. "As diversas mesas possibilitaram reflexões importantes acerca do papel do imperialismo no golpe, não somente no Brasil, mas nos diferentes países da América Latina; das consequências econômicas que persistem até o momento atual; do papel da tortura na repressão às formas de luta do período; as ações da comissão nacional da verdade, e a questão dos direitos humanos. Entre outros temas, o evento terminou relembrando os 150 anos da AIT e fazendo um convite à formação de grupos de estudo sobre o tema, dos quais resultarão um grande seminário para o final deste ano", informa a docente.

O evento aconteceu simultaneamente em mais três universidades: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Universidade Estadual do Paraná (Unespar). As atividades contaram também com o apoio do Centro de Referência em Direitos Humanos da UFFS e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (AAP).