Campus Realeza: Projeto Cinedebate faz reflexão sobre identidade indígena

Publicado em: 19 de abril de 2016 09h04min / Atualizado em: 11 de janeiro de 2017 09h01min

A reconstrução da memória e da identidade dos índios Guatós foi apresentada no filme "500 Almas", exibido pelo Projeto Cinedebate da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza. A sessão foi realizada na noite desta segunda-feira (18), na Casa da Cultura. O documentário dirigido por Joel Pizzini despertou o debate acerca da perda das origens culturais e da língua indígena sofrida por esse grupo.

A abertura da sessão foi feita por estudantes indígenas do Campus Laranjeiras do Sul, que apresentaram danças e músicas sobre a cultura Kaingang e Guarani. Pertencentes a Aldeia Rio das Cobras e de outras na região de Nova Laranjeiras, os grupos Kamê e Kanhru abordaram a importância da valorização da cultura indígena durante o debate, bem como chamou a atenção para as lutas atreladas ao Dia do Índio, comemorado no dia 19 de abril.

Sobre a data, a estudante indígena Viviane Kellen Barão salientou que é um momento para enaltecer aqueles que lutaram pelas questões indígenas. "Quando criança imaginava que o dia 19 de abril era para ser comemorado, mas é uma data para rememorar o que aconteceu no passado e se indignar. Temos a invasão dos portugueses, a exploração e a violência contra o povo indígena. É uma data em que devemos homenagear nossos companheiros que morreram na luta pela terra, defendendo-se dos invasores portugueses", explicou.

Um dos elementos mais destacados no filme é a perda da língua guató, assim como a resistência dos poucos indígenas sobreviventes em mantê-la viva. Em uma das cenas do filme um índio guató questiona por que deveria falar em português se ele era nativo. "É interessante esse aspecto porque a preservação da memória se dá pela língua, pois nela está a história e a cultura desse povo", comenta a professora da UFFS, Marilene Aparecida Lemos, presente no debate.

O tema do próximo Projeto Cinedebate busca fazer uma reflexão sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituído no dia 18 de maio. A data faz referência à menina Araceli Cabrera Sánchez Crespo, que, aos 8 anos, foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espírito Santo, em 1973. Seu corpo apareceu carbonizado seis dias depois, e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos.

Sobre o Filme "500 Almas"

O filme "500 Almas" busca reconstruir a cultura guató, uma tribo indígena do Mato Grosso do Sul considerada extinta em 1960 até a redescoberta de uma população remanescente, mas dispersa.

Considerado um filme atemporal, "500 Almas" tem como foco a relação dos guatós com a natureza, mas sem deixar de tocar em outros aspectos cruciais da trajetória dos indígenas, como a morte de um de seus líderes, nos anos 70, e a dispersão da etnia pelo Pantanal. Outro elemento da cultura guató destacado é a língua. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a população guató que residia em 2008 em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso é de 175 e de 195, respectivamente. Há, em toda a região pantaneira, apenas 5 falantes da língua indígena.