Comunidade ajuda a construir proposta de Política Indígena da UFFS no Campus Erechim

Publicado em: 14 de dezembro de 2012 13h12min / Atualizado em: 05 de janeiro de 2017 13h01min

Representantes de comunidades indígenas, professores, técnico-administrativos, integrantes da comissão responsável pela elaboração da Política Indígena da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) participaram, na última quinta-feira (13), de uma reunião para debater a proposta no Campus Erechim. Durante esta semana a comissão está percorrendo os cinco campi da instituição para dialogar com representantes das comunidades indígenas locais visando a construção de uma política adequada à realidade das mesmas.

No Campus Erechim representantes de sete comunidades indígenas, dos povos Kaingang e Guarani, estiveram presentes. Conforme o professor Daniel de Bem, que integra a comissão da UFFS, o objetivo da rodada de reuniões é ouvir as comunidades indígenas do entorno da Universidade, nos três Estados onde ela está presente (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), “para tentar construir a política mais dialogada e mais participativa possível”.

O diretor do Campus Erechim, Ilton Benoni da Silva, relembrou os espaços de diálogo já estabelecidos com as comunidades indígenas desde a implantação da UFFS e ressaltou que a construção de uma política de acesso e permanência de indígenas na Universidade é mais um passo dessa construção. “Agora temos a felicidade de produzirmos algum encontro da política que estamos gestando aqui com a política nacional das cotas, que também nos dão algum alento no sentido de concatenarmos as nossas pretensões, os nossos desafios, com essa nova política”, disse.

A legislação recentemente aprovada prevê a destinação de vagas nas universidades públicas federais para autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. A UFFS se adequou integralmente, já no Processo Seletivo 2013 que está com inscrições abertas, à nova lei. Benoni destacou ainda que, além de ingressar nos cursos de graduação, há outros espaços de interação dessas comunidades com a UFFS que precisam ser levados em consideração de modo a estreitar os laços de colaboração. Ele citou como exemplo as áreas de extensão, cultura e pesquisa.

Estiveram representadas na reunião as comunidades indígenas de Mato Preto, Ventarra, Votouro, Nonoai, Faxinalzinho, Água Santa e Ligeiro. Também participaram da reunião a representante da Funai, Maria Inês de Freitas, a presidente da comissão da UFFS, diretora de Extensão da pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec), Monica Hass e o diretor de Políticas de Graduação da pró-reitoria de Graduação (Prograd), Élsio Corá.

Relato

O professor Kaingang Nilso Cardoso foi um dos representantes das comunidades indígenas que compartilhou as suas experiências durante a reunião. Técnico agropecuário e biólogo, ele pretende ainda se formar em Pedagogia. Durante a reunião ele falou das dificuldades que enfrentou para conseguir estudar devido às condições financeiras limitadas. “Passei fome, muitas vezes pensei em desistir, acho esse tipo de debate muito importante para que os meus irmãos não encontrem tantas dificuldades como eu tive que enfrentar”, ponderou.